“Não foi amor quando eu te dei flores. Não foi amor quando eu te comprei jóias, nem quando eu te escrevi textos enormes. Não foi também quando eu falei que você tava linda, ou quando te levei pra jantar fora. Foi amor quando te aguentei de tpm, quando escutei calado, você me xingar sem razão, quando usei aquela blusa que você me deu mesmo achando ela ridícula. Foi amor quando eu comi aquele bolo queimado. Foi amor quando eu te deixei ir com outro porque, eu, não era mais o que você queria. Prova de amor não é fazer o fácil, levar pra jantar e dar flores, qualquer um faz. Amor é ficar e aguentar o difícil.
“Eu queria te contar que agora não dói mais. Só que agora não importa tanto o que você vai pensar sobre isso. Queria que você soubesse que já vi nossos filmes milhares de vezes e nem chorei. Ok, chorei. Mas pelo filme, e não por você. Queria que você soubesse que tirei a poeira das nossas músicas, e que as ouço quase todos os dias. Porque elas me faziam mais falta do que você fez. Os nossos lugares não são mais nossos. Eu já voltei lá com outras pessoas, e escrevi lá outras histórias… Eu estou aprendendo a tocar violão. E a primeira música que toquei foi aquela música que era uma espécie de hino pra nós dois. Ela é tão linda… E sim, ela continua sendo muito nossa e lembrando demais você. Mas ainda sim, não dói. Você não pergunta essas coisas, mas sei que gostaria de saber. Porque te conheço. E isso não mudou. Do mesmo jeito que adivinhei as coisas ruins que você aprontaria, eu sei as coisas boas que ficaram aí em você e te fazem lembrar de mim. Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.